Episódio 51 – Liderar quando o ciclo não perdoa: transformação operacional agroindustrial
Transformação operacional agroindustrial – Gestão estratégica em usinas
Neste novo episódio do Keru Podcast, conversamos com Rogelio Ernesto Ramírez Arias, Gerente Geral da Ingenio La Cabaña, sobre os desafios reais de liderar uma transformação operacional agroindustrial em um setor marcado pela sazonalidade, alta pressão logística e margens de manobra muito limitadas. Com mais de 20 anos no setor, Rogelio oferece um olhar estratégico sobre como profissionalizar estruturas históricas sem romper os vínculos sociais que sustentam a operação.
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Durante a entrevista, são exploradas as múltiplas dimensões da transformação operacional agroindustrial: desde a digitalização gradual dos processos produtivos até o redesenho de indicadores e das estruturas de comando intermediárias. Rogelio detalha como integraram sistemas SCADA, sensores on-line e painéis de controle visual que permitem tomar decisões em tempo real durante a safra. Mas também destaca os limites da automação: “Você pode ter dados perfeitos, mas se a equipe não confia no que mede, nada muda de verdade.”
Uma das contribuições centrais do episódio é seu foco na gestão estratégica em usinas. Rogelio compartilha como reorganizaram o sistema de reuniões operacionais com enfoque visual, substituindo relatórios verbais por análises objetivas centradas nas causas e não nas pessoas. Na sua experiência, essa evolução cultural foi mais difícil do que a tecnológica. “Foi mais difícil implementar um 5S sustentado do que instalar sensores de pressão.”
O episódio também aborda a transformação do papel do gerente de fábrica, agora convertido em um integrador entre produção, manutenção e logística. Essa mudança ocorreu em paralelo com a criação de novos perfis técnicos e um plano de sucessão que articula experiência e juventude. Nas palavras de Rogelio: “Uma usina bem gerida não depende de uma pessoa, mas de um sistema que melhora a cada ano.”
Outro eixo-chave dessa transformação operacional agroindustrial tem sido a estratégia energética. Em um contexto em que o preço do óleo bunker e a disponibilidade de biomassa afetam diretamente a rentabilidade, a La Cabaña desenvolveu sistemas de recuperação de calor, otimização de caldeiras e gestão preditiva do consumo. Rogelio detalha como isso impacta não apenas os custos, mas também a competitividade exportadora do produto final.
Quanto à gestão estratégica em usinas, o episódio enfatiza a necessidade de pensar além do ciclo produtivo. Rogelio argumenta que a sustentabilidade de uma usina não está apenas no rendimento por tonelada, mas na sua capacidade de se adaptar a condições de mercado, climáticas e trabalhistas cada vez mais voláteis. “Nosso produto já não é só açúcar: é também certeza, rastreabilidade e compromisso com o entorno.”
O episódio termina com uma reflexão poderosa: transformar uma usina não significa modernizar uma fábrica, mas repensar uma comunidade produtiva que depende de centenas de pessoas, decisões e processos que só têm uma oportunidade por ano para dar certo.
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Rogelio Ernesto Ramírez Arias El Salvador – Ingenio La Cabaña El Salvador – Rogelio Ernesto Ramírez Arias Ingenio La Cabaña
Rogelio Ernesto Ramírez Arias El Salvador é um executivo salvadorenho com mais de 20 anos de experiência em liderança industrial, especializado em produção, operações e transformação de processos no setor agroindustrial. Atualmente atua como Gerente Geral da Ingenio La Cabaña El Salvador, uma das empresas mais emblemáticas do setor açucareiro na região. Nessa posição, liderou processos de melhoria operacional, inovação tecnológica e profissionalização da estrutura organizacional, posicionando a usina como referência de eficiência na América Central.
Uma usina só tem uma oportunidade por ano para que tudo funcione bem. Não dá para improvisar.
Sua trajetória começou como Engenheiro Químico pela Universidad de El Salvador, formação que complementou com um Mestrado em Administração de Empresas pela Universidad Centroamericana José Simeón Cañas e uma pós-graduação em Alta Direção. Essa combinação de formação técnica e visão estratégica permitiu que ocupasse posições-chave em empresas como a Ingenio Chaparrastique e, posteriormente, na Ingenio La Cabaña El Salvador, onde desenvolveu a maior parte de sua carreira.
A transformação operacional agroindustrial não se trata apenas de tecnologia, mas de mudar como tomamos decisões todos os dias.
Em mais de 15 anos na La Cabaña, Rogelio Ernesto Ramírez Arias Ingenio La Cabaña promoveu uma cultura de gestão baseada em indicadores, controle de qualidade total e sustentabilidade operacional. Seu foco tem sido alinhar produção, manutenção, logística e talento humano em torno de objetivos comuns, aplicando ferramentas de melhoria contínua e metodologias como TPM, Lean e 5S adaptadas ao ambiente agroindustrial.
Uma de suas conquistas mais destacadas foi a implementação de um modelo de transformação digital gradual, integrando sistemas SCADA nas áreas críticas de moagem e caldeiras, com o objetivo de aumentar a eficiência energética e reduzir o consumo de recursos. Sob sua direção, a usina conseguiu reduzir tempos de parada, aumentar a recuperação de sacarose por tonelada de cana e otimizar o rendimento industrial sem comprometer a segurança nem o bem-estar dos trabalhadores.
Percebemos que a liderança técnica já não era suficiente: era preciso aprender a liderar pessoas, não apenas processos.
Rogelio Ernesto Ramírez Arias El Salvador também impulsionou o fortalecimento das capacidades internas por meio de programas de formação técnica contínua, parcerias com universidades e o redesenho do processo de avaliação de desempenho, buscando profissionalizar a equipe operacional e técnica em todos os níveis.
Você pode ter o melhor sensor, mas se o operador não confia nele, não vai mudar sua forma de trabalhar.
Na sua visão, liderar uma usina não é apenas produzir açúcar, mas também construir uma cultura organizacional que possa se sustentar ao longo do tempo. Por isso, sua gestão na Ingenio La Cabaña El Salvador integrou a responsabilidade social empresarial, o desenvolvimento comunitário e o respeito ao meio ambiente como eixos centrais do negócio.
Reunir-se todos os dias não significa que há gestão. Tivemos que ensinar a observar, não apenas a reportar.
Graças a essa trajetória, Rogelio Ernesto Ramírez Arias Ingenio La Cabaña é considerado hoje uma referência na gestão moderna de usinas, combinando conhecimento técnico, sensibilidade social e capacidade de execução em ambientes altamente exigentes.
Gerente Geral
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