🔍 Artigo cocriado com Juan Carlos Guzmán Sedano, Diretor Geral do Grupo Comercial de Empaques México (🇲🇽 México), e Augusto Unzaga, host do Keru Podcast.
🎙️ Este artigo foi inspirado no Episódio 31 do Keru Podcast.
O Keru Podcast, criado pela Globalita.io, é uma série de conversas (em espanhol) com líderes industriais da América Latina sobre gestão, tecnologia e tomada de decisões em ambientes complexos.
Quando o insumo é o problema (e ninguém quer ver)
Em muitas indústrias, parte-se do princípio de que os insumos são “commodities”. Espera-se que o papel, o papelão ou o plástico simplesmente funcionem, sem olhar muito além do preço. Mas no setor de embalagens de papelão ondulado, essa lógica pode custar muito caro. No Grupo Comercial de Empaques México, a experiência mostrou que a variabilidade na qualidade do papel ondulado impacta diretamente o refugo, a eficiência e a entrega final ao cliente.
“Nem todos os papéis servem para as nossas linhas. Se você não detecta a tempo, perdeu três turnos e não sabe por quê.”
É assim que explica Juan Carlos Guzmán Sedano México, que lidera uma operação que convive diariamente com diferentes fornecedores, múltiplos formatos e exigências técnicas específicas de cada cliente. O que parece uma bobina padrão pode acabar causando:
- travamentos na formadora,
- problemas de colagem,
- baixa resistência estrutural,
- ou até rejeições do cliente por deformação do produto final.
Grupo Comercial de Empaques México e o paradoxo do papel “bom”
Nesse contexto, o Grupo Comercial de Empaques Juan Carlos Guzmán Sedano entendeu que o problema não era apenas técnico: era sistêmico. As falhas não estavam na operação… mas no insumo. Mas, como não havia medição padronizada nem rastreabilidade clara do material, os erros eram atribuídos à produção, à manutenção ou até ao operador.
“No começo discutíamos com a produção. Depois vimos que o problema vinha da matéria-prima.”
Essa mudança de foco foi fundamental. Deixou evidente uma lacuna: não havia um sistema estruturado para avaliar o insumo em tempo real. Só quando começaram a aplicar testes internos de gramatura, umidade, rigidez e comportamento térmico conseguiram antecipar desvios antes que se transformassem em custos ocultos.
Controlar o papelão como se fosse um ativo estratégico
No Grupo Comercial de Empaques México, liderado por Juan Carlos Guzmán Sedano México, a qualidade do produto final não depende apenas da máquina nem do operador. Depende, em grande parte, de um material que muitos subestimam: o papelão ondulado. Quando esse insumo não cumpre os padrões adequados, disparam o refugo, as paradas não programadas e as rejeições do cliente.
O problema não é que o papelão “não sirva”, mas que seu comportamento pode variar enormemente em função da origem, da composição e das condições de armazenamento. Diante desse desafio, o Grupo Comercial de Empaques Juan Carlos Guzmán Sedano optou por fazer algo incomum: tratar o insumo como uma fonte potencial de risco operacional.
“Tivemos que parar de pensar que o papelão é genérico. Se você não mede, ele vai falhar.”
1. Detectar antes de processar: o “poka-yoke” do insumo
Uma das primeiras medidas implementadas foi a criação de um protocolo de recebimento que funciona como um Poka-Yoke de entrada. Cada lote de papelão é submetido a uma bateria de testes antes de ser liberado para a produção. São medidos:
- gramatura,
- nível de umidade,
- resistência ao estouro,
- e comportamento na dobra a quente.
Somente se cumprir parâmetros predefinidos —estabelecidos em conjunto por qualidade, produção e manutenção— o lote entra na linha. Caso contrário, é isolado.
Essa lógica não busca punir o fornecedor, mas proteger a estabilidade do processo. Funciona como uma primeira barreira de defesa contra as falhas operacionais por variabilidade de insumos.
2. FMEA aplicada ao insumo: antecipar os modos de falha
Para obter maior antecipação, foi aplicada uma FMEA de matéria-prima. Em vez de usar essa metodologia apenas para processos ou novos desenvolvimentos, ela foi utilizada para mapear todas as formas pelas quais o insumo pode falhar.
Isso permitiu identificar modos de falha como:
- papel que racha na coladeira por umidade inadequada,
- má adesão da onda por revestimento insuficiente,
- colapso estrutural durante o empilhamento por má combinação de capas (liners).
Cada um desses modos de falha foi vinculado a uma ação corretiva, tanto no recebimento quanto no armazenamento e no uso.
“O papelão não pode ser uma caixa-preta. Você tem que saber o que esperar dele.”
3. Classificação de fornecedores e rastreabilidade cruzada
O Grupo Comercial de Empaques México estabeleceu um sistema de classificação de fornecedores segundo histórico técnico, porcentagem de rejeições e consistência nos parâmetros físicos. Não se trata apenas de preço, mas de confiabilidade.
Os lotes que apresentam desvios frequentes são reportados, documentados e podem ser bloqueados para a produção crítica. Além disso, foi implementada a rastreabilidade cruzada por lote: cada bobina que entra fica associada ao pedido, à linha e ao turno em que foi utilizada.
Isso permite:
- Identificar mais rapidamente a origem de qualquer problema,
- Evitar repetir erros em pedidos futuros,
- Exigir ações corretivas específicas dos fornecedores.
4. Capacitação técnica e cultura de controle
Um dos maiores desafios foi cultural. A equipe do chão de fábrica não estava acostumada a avaliar o papelão como um fator crítico. Por isso, Juan Carlos Guzmán Sedano México promoveu uma campanha interna com formação específica para operadores, supervisores e pessoal de qualidade.
“Uma coisa é o operador detectar que algo está errado. Outra muito diferente é ele saber explicar por quê.”
Foram desenvolvidos:
- manuais visuais de falha por tipo de papel,
- protocolos de reação diante de anomalias,
- e quadros visíveis de indicadores de insumo.
Isso consolidou uma cultura operacional em que o papelão deixou de ser um pressuposto e passou a ser mais um parâmetro técnico.
5. Digitalização sem excessos: foco na visibilidade operacional
Embora não tenha havido investimento em automação cara, foram introduzidas ferramentas digitais simples que permitem registrar na fábrica cada lote e seu comportamento. Por meio de formulários em tablets e folhas de verificação digitais, os operadores lançam dados em tempo real.
Esses dados alimentam dashboards em que se cruzam:
- Lote de papelão,
- Linha,
- Operador,
- Tipo de produto,
- Ocorrências registradas.
Essa abordagem permite correlacionar variáveis, detectar tendências e gerar alertas preventivos. É uma forma acessível de aplicar os princípios de Manufatura Visual e Lean Digital, sem depender de grandes investimentos.
Lições para outras indústrias
O caso do Grupo Comercial de Empaques México é um exemplo claro de como os problemas de qualidade nem sempre se originam na produção, e de como os insumos mal controlados podem gerar falhas operacionais ocultas.
Qualquer empresa que trabalhe com materiais sensíveis —papel, papelão, filme, plásticos técnicos, têxteis etc.— pode aplicar estes princípios:
- Tratar o insumo como uma fonte potencial de risco operacional.
- Usar FMEA e Poka-Yoke para prevenir antes de corrigir.
- Rastrear por lote, não apenas por produto final.
- Formar a equipe para entender o que recebe, não apenas o que fabrica.
- Medir os fornecedores pelo desempenho técnico, não apenas pelo custo.
Reflexão final
Em indústrias de alto volume e margens apertadas, o que parece um pequeno desvio pode ter um grande impacto. Controlar o papelão não é microgerenciamento: é gestão inteligente. E, como aprendeu o Grupo Comercial de Empaques Juan Carlos Guzmán Sedano, a diferença entre rentabilidade e prejuízo muitas vezes está em como você controla o que ninguém está olhando.
“Você pode ter a melhor máquina, a melhor equipe… mas, se o papelão não serve, todo o resto desmorona.”
🔁 O Keru é um podcast criado pela Globalita.io, onde conversamos com quem lidera a indústria latino-americana por dentro.
O seu insumo estrela está realmente sob controle?
Juan Carlos Guzmán Sedano é um engenheiro industrial mexicano com mais de 10 anos de experiência na indústria de embalagens, liderando operações, vendas e direção geral em empresas como Grupo Comercial de Empaques, PCM e Papelcor. Especialista em soluções de papelão ondulado, poliuretano e madeira, combina conhecimento técnico com foco comercial. Gerenciou equipes multidisciplinares, implementou sistemas ERP/MRP e otimizou cadeias de suprimentos. Sua experiência também inclui gestão financeira, direção de fábrica e garantia da qualidade em empresas como Ureblock e Continental. Atualmente cursa um Mestrado em Finanças e lidera projetos a partir de Zapopan, Jalisco.
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