🔍 Artigo cocriado com Francisco Estrada, Gerente Geral da RM Sheet Metal México (🇲🇽 México), e Augusto Unzaga, host do Keru Podcast.
🎙️ Este artigo foi inspirado no Episódio 31 do Keru Podcast.
Keru Podcast, criado pela Globalita.io, é uma série de conversas (em espanhol) com líderes industriais da América Latina sobre gestão, tecnologia e tomada de decisões em ambientes complexos.
Quantos SKUs a mais sua fábrica aguenta?
Gerenciar uma operação industrial com 20 produtos pode ser desafiador. Com 200, fica tenso. Mas quando o portfólio passa de 1000 referências ativas, o planejamento, o controle do chão de fábrica e a coordenação entre áreas começam a colapsar… se não houver método.
Esse é o caso da RM Sheet Metal México Francisco Estrada, onde a produção abrange múltiplos processos, famílias e variações técnicas. Um mix que gera oportunidades de negócio, mas também complexidade operacional.
“Você não pode usar o mesmo sistema de controle para cinco produtos e para mil. Se você não evolui o sistema, o sistema te afoga.”
A produção industrial de alto mix coloca um dilema estratégico: como manter a eficiência quando a cada dia mudam a demanda, o modelo, a sequência ou o volume?
Produção industrial de alto mix: mais variedade, mais risco
Em contextos multiproduto e multifamília, os problemas típicos se multiplicam:
- Planejamentos refeitos diariamente por mudanças do cliente.
- Estoques intermediários desnecessários que bloqueiam o fluxo.
- Ajustes de máquina que roubam tempo e foco.
- Pedidos pequenos que exigem o mesmo esforço que os grandes.
- Pessoal sobrecarregado que pula entre tarefas sem estabilizar nenhuma.
Esse ambiente instável gera picos de scrap, descumprimentos de entrega e desgaste da equipe. Mas a causa não é a variedade em si, e sim a falta de um sistema para gerenciá-la.
“Quando tudo muda o tempo todo, o seu sistema tem que ser o que não muda.”
Gestão de portfólios multifamília: parar de improvisar
Francisco Estrada resume com clareza:
“Se você continua planejando com Excel quando tem mais de mil referências, está planejando mal.”
A gestão de portfólios multifamília exige ferramentas de agrupamento, padronização e priorização. Não se trata de fazer tudo, mas de fazer com lógica industrial.
Isso implica:
- Classificar por famílias produtivas, não só por cliente.
- Definir janelas fixas para produtos semelhantes (nivelamento).
- Agrupar mudanças de set-up com lógica SMED.
- Capacitar com One Point Lessons (OPL) para acelerar a polivalência.
Essa abordagem não apenas organiza o fluxo. Também permite que a equipe antecipe, entenda e execute sem depender de um chefe que grite prioridades a cada hora.
Ferramentas para manter a eficiência na produção industrial de alto mix
Quando uma fábrica enfrenta centenas de produtos, dezenas de roteiros e pedidos pequenos e variáveis, a eficiência operacional em ambientes complexos já não depende do esforço, mas do desenho do sistema.
RM Sheet Metal México Francisco Estrada aponta isso com clareza:
“O problema não é ter mil referências, o problema é tratar todas como se fossem iguais.”
Por isso, nesse tipo de fábrica, é indispensável aplicar metodologias específicas para nivelar, estabilizar e padronizar a operação sem frear a personalização.
1. Heijunka: nivelar para não perder
O conceito japonês de Heijunka propõe nivelar a produção não de acordo com a demanda total, mas segundo uma sequência estável que mantenha o ritmo operacional.
Em fábricas de alto mix, isso permite:
- Evitar picos de carga em certos processos.
- Distribuir a variedade de produtos em lotes pequenos e regulares.
- Desenhar células produtivas que possam absorver flexibilidade sem desordem.
A Heijunka Box é uma ferramenta visual para programar essas sequências com lógica, permitindo que o operador se concentre em executar, não em adivinhar prioridades.
“Não se trata de produzir mais rápido. Trata-se de produzir sem atrito”, aponta Francisco Estrada RM Sheet Metal México.
2. SMED avançado: ajustar sem perder eficiência
Single-Minute Exchange of Die (SMED) é uma metodologia para reduzir drasticamente o tempo de troca de ferramentas ou de ajustes entre produtos. Mas em ambientes de alta variedade, o SMED tradicional não basta. É necessária uma abordagem avançada, que inclua:
- Agrupamento inteligente de modelos com ajustes semelhantes.
- Redesenho de dispositivos para minimizar a intervenção manual.
- Pré-ajuste externo de variáveis antes da troca.
- Padronização visual com guias rápidos.
Um SMED bem executado permite passar de um produto a outro em minutos, sem perder qualidade nem tempo. Na RM Sheet Metal, essa lógica é vital para sustentar a promessa de entrega em meio à variedade extrema.
3. Matrizes de agrupamento: organizar o caos
Quando a variedade é excessiva, uma matriz de agrupamento pode se tornar a melhor aliada. Trata-se de classificar as referências em função de:
- Processos necessários.
- Ajustes necessários.
- Frequência de demanda.
- Tamanho do lote.
- Cliente crítico ou padrão.
Essa matriz permite definir:
- Sequências lógicas de produção.
- Priorização de pedidos.
- Roteiros comuns para capacitar operadores.
- Pontos de controle compartilhados.
O que parece “variedade infinita” muitas vezes é apenas falta de agrupamento estratégico.
4. One Point Lessons (OPL): ensinar exatamente o que é necessário
Em um ambiente em que o operador precisa se adaptar a muitas peças, máquinas ou clientes, o treinamento tradicional não escala. É aí que entra a metodologia OPL (One Point Lesson).
Uma OPL é uma lição rápida e visual que:
- Aborda um único ponto de conhecimento.
- Usa fotos ou diagramas reais da fábrica.
- É ensinada entre pares ou por líderes de linha.
- Concentra-se em tarefas críticas para a troca.
Aplicar OPL permite manter a polivalência sem sobrecarregar o operador. Também gera um banco de conhecimento que cresce a cada novo modelo.
“O conhecimento operacional não pode estar só na cabeça de uma pessoa. Tem que estar no sistema”, afirma Francisco Estrada.
5. O que você pode aplicar amanhã na sua fábrica
🔹 Desenhe uma matriz de agrupamento
Revise suas referências ativas e classifique-as por famílias de processo, tipo de set-up ou demanda.
🔹 Implemente um piloto de Heijunka
Escolha uma linha crítica e nivele sua sequência em lotes pequenos e estáveis. Observe o impacto no fluxo e na carga operacional.
🔹 Redesenhe seu checklist de troca com lógica SMED
Separe o que pode ser feito antes, durante e depois do ajuste. Meça quanto tempo você ganha.
🔹 Crie sua primeira série de OPLs
Identifique os erros mais comuns e crie uma lição visual com fotos de como fazer certo.
🔹 Capacite seus líderes de turno na lógica de alto mix
Nem todos os produtos pesam igual. Ensine-os a priorizar com base no valor, não apenas na urgência.
Reflexão final
A gestão de portfólios multifamília não é uma maldição. É uma oportunidade… se for tratada com método.
Muitas fábricas fracassam não porque produzem muito, mas porque não desenharam um sistema capaz de absorver essa variedade com ordem, visibilidade e aprendizado contínuo.
RM Sheet Metal México Francisco Estrada mostra que a solução não é reduzir o catálogo, mas aprender a gerenciá-lo com lógica industrial.
“Não existe produto pequeno se ele entra no sistema com método. O que mata a eficiência não é a variedade. É o caos.”
E a sua fábrica? Está preparada para crescer em variedade sem perder estabilidade?
🔁 Keru é um podcast (em espanhol) criado pela Globalita.io, onde conversamos com quem lidera a indústria latino-americana por dentro.
Francisco Estrada é Gerente Geral da RM Sheet Metal México, com mais de 10 anos de experiência em planejamento, controle de produção e gestão integral da cadeia de suprimentos. Sua trajetória inclui liderança em empresas como Safran, Jabil e RIPIPSA, onde coordenou equipes de engenharia, compras, qualidade e planejamento em ambientes de manufatura de alto mix. Especialista em sincronização da demanda, indicadores-chave (OTD, scrap, schedule attainment) e otimização de portfólios multifamília, combina habilidades técnicas com visão estratégica para manter a eficiência sem sacrificar a flexibilidade operacional.
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