Adaptabilidade como competência-chave do gerente geral

Descubra como Sergio Mariano García Birziplastik transforma a liderança industrial aplicando 5 modelos de gestão adaptativa e planejamento ágil.

Sergio Mariano García CEO/Gerente Geral · Birziplastik · · 10 min
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🔍 Este artigo foi cocriado com Sergio Mariano García, CEO da consultoria S4P Consulting e Diretor de Estratégia Corporativa (assessor externo) na Birziplastik (🇪🇸 Espanha).

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Problema / desafio: liderar sem certezas na indústria do plástico

Em um ambiente como o da indústria do plástico, marcado por regulações em mudança, tensões geopolíticas, pressão social por sustentabilidade e expectativas de circularidade, a liderança estratégica não é exercida a partir da teoria, mas da capacidade de navegar entre estruturas rígidas e emergências constantes. A demanda é dupla: sustentar o negócio enquanto se transforma a lógica operacional.

O gerente geral já não pode atuar como mero executor de um plano anual. A volatilidade nos preços de insumos como o polietileno, o endurecimento normativo na União Europeia e as oscilações regulatórias na América Latina obrigam a se mover com visão periférica e foco simultâneo. Isso exige um entendimento profundo de toda a cadeia de valor: desde o sourcing de matérias-primas recicláveis até a rastreabilidade dos produtos pós-consumo.

Sergio Mariano García Birziplastik, CEO da S4P Consulting e Diretor de Estratégia Corporativa (assessor externo) na Birziplastik, é químico de formação e estrategista industrial. Percorreu quase todos os elos dessa cadeia: dos laboratórios de P&D à direção geral em pequenas e médias empresas industriais. Sua experiência em empresas familiares, startups de tecnologia e indústrias reguladas permite que ele veja com clareza que:

“As habilidades que levaram você ao cargo de direção geral não são as que vão mantê-lo lá.”
— Sergio Mariano García, CEO da S4P Consulting e assessor externo na Birziplastik

As empresas do setor de plástico enfrentam uma pressão tripla: rentabilidade operacional, conformidade normativa e percepção pública. Já não basta melhorar indicadores internos. É preciso desenvolver uma liderança industrial capaz de gerir tensões estruturais sem perder a visão estratégica.

Nesse contexto, a Birziplastik não só deve cumprir os requisitos técnicos de seus clientes, como também antecipar mudanças na legislação ambiental, buscar certificações, retreinar seu pessoal operacional e gerir alianças logísticas. O diretor de estratégia não pode delegar completamente esses desafios. Ele deve se integrar como líder técnico e cultural ao mesmo tempo.

“Um CEO industrial não lidera da torre de controle. Ele precisa descer ao terreno, entender os gargalos e manter o pulso da operação.”
— Sergio Mariano García, CEO da S4P Consulting e assessor externo na Birziplastik

Reflexões sobre o problema: flexibilidade sem perder a direção

Sergio Mariano García sustenta que a verdadeira adaptabilidade não é tática, mas estratégica. Não se trata de se mover rápido, mas de saber quando se mover e quando sustentar. A confusão entre agilidade e dispersão levou muitos gerentes gerais a operar sem foco, correndo atrás da urgência sem construir capacidades organizacionais sustentáveis.

“Não se trata apenas de ser flexível. Trata-se de saber quando ser generalista e quando voltar à sua especialidade para apoiar a equipe por dentro.”
— Sergio Mariano García, assessor estratégico na Birziplastik

É aqui que faz sentido a distinção entre sistemas simples, complicados, complexos e caóticos do modelo Cynefin (Snowden & Boone, Harvard Business Review, 2007). Muitos líderes tentam aplicar soluções padrão a contextos complexos. O resultado é frustração, desgaste das equipes e perda de vantagem competitiva.

Na indústria do plástico, os ciclos de decisão raramente são lineares. A qualidade dos pellets reciclados, os preços spot do polietileno ou a disponibilidade de aditivos técnicos podem mudar em dias. Tentar prever a partir do Excel o que deve ser decidido a partir do Gemba é um dos erros mais comuns. Por isso, Sergio insiste em liderar a partir do contato real com a operação, sem perder a visão sistêmica.

Sua abordagem se aproxima do que Nassim Taleb chama de antifragilidade (Antifrágil, 2012): projetar estruturas que não apenas resistam à incerteza, mas se beneficiem dela. Isso implica investir em talento operacional, descentralizar decisões, criar buffers funcionais e estimular o pensamento crítico inclusive em cargos operacionais.

“Um CEO antifrágil não teme a mudança. Ele a transforma em vantagem organizacional.”
— Sergio Mariano García, CEO da S4P Consulting

No nível da gestão cultural, ele também distingue entre as organizações que sobrevivem adaptando-se passivamente e aquelas que evoluem de forma consciente. Essa abordagem se apoia no pensamento de Peter Senge (A Quinta Disciplina, 1990), especialmente na ideia de construir organizações que aprendem. Para isso, o gerente geral deve modelar o aprendizado contínuo: assumir erros, reformular hipóteses, iterar sobre decisões sem medo de se expor.

“Se você não consegue modelar mudança e aprendizado a partir da direção geral, quem vai fazer isso?”

Em síntese, adaptabilidade não é simplesmente reagir. É redesenhar os marcos de sentido a partir dos quais se decide. É reformular o próprio conceito de controle. Em ambientes industriais com alta entropia, controle não é rigidez: é capacidade de resposta com direção.

Soluções aplicadas na direção geral industrial

Na abordagem de Sergio Mariano García, CEO da S4P Consulting e assessor estratégico externo na Birziplastik, as soluções não surgem de um manual, mas da experiência direta com múltiplas realidades organizacionais. De empresas familiares em processo de sucessão a firmas europeias com normas ESG rigorosas, ele desenhou marcos de ação que combinam pensamento estratégico com intervenção tática.

🔎 a) Diagnóstico de capacidades antes de assumir o cargo

Uma prática crítica é o que ele chama de auditoria de adaptabilidade. Antes de intervir, ele faz um mapeamento de capacidades ativas, passivas e obsoletas. Isso permite decidir não só o que fazer, mas quem pode fazê-lo melhor dentro da equipe. Aqui ele aplica princípios do Leadership Without Easy Answers de Ronald Heifetz, em que a função do líder não é ter todas as respostas, mas construir o ambiente para que elas surjam.

“A primeira coisa que faço ao assumir um cargo é revisar quais capacidades tenho que deixar para trás e quais preciso ativar ou aprender.”

Essa auditoria serve de base para ativar processos internos de reskilling, redistribuir decisões críticas e delegar a partir da confiança, não da urgência. Ela se traduz, além disso, em um mapa de vulnerabilidades: áreas onde não existem segundas linhas formadas ou onde o conhecimento operacional é tácito.

🧰 b) Delegação ativa como sistema de multiplicação de foco

Delegar é uma arte mal compreendida. Sergio propõe um sistema de delegação ativa, em que o foco não está em se desligar, mas em potencializar o desempenho do outro. Para isso, adapta ferramentas como OKRs (John Doerr, Measure What Matters, 2018) e modelos de empowerment operacional.

“Uma decisão mal delegada consome mais tempo do que tê-la tomado você mesmo. Mas uma bem delegada multiplica o foco do gerente geral.”

Os OKRs são usados como uma arquitetura flexível, não como um contrato. O objetivo é gerar conversas de alinhamento e acompanhamento que permitam delegar com um marco, mas sem sufocar a criatividade. Em ambientes industriais com operações críticas, isso permite agir com controle sem necessidade de rigidez.

Esse modelo foi aplicado na Birziplastik em áreas como compras técnicas, planejamento de manutenção e logística reversa, onde o excesso de dependência do CEO gerava gargalos. Ao institucionalizar a delegação ativa, o lead time das decisões não urgentes foi reduzido em mais de 40%.

📊 c) Gestão do tempo: impacto, urgência e matriz de capital político

Um dos maiores recursos que um CEO tem é sua disponibilidade. Sergio estrutura sua agenda com base em três eixos:

  • Impacto econômico real (margem, cash flow, risco)
  • Risco operacional imediato
  • Capital político interno (quando estar visível, onde reforçar)

“Muitas coisas são urgentes para os outros, mas não importantes para a organização. A chave é ensinar a equipe a filtrar antes de escalar.”

Essa abordagem se inspira parcialmente na Matriz de Eisenhower, mas com ajustes industriais: em vez de “importante/não importante”, mede-se o impacto no negócio. O tempo do CEO se orienta não só ao estratégico, mas a sustentar a cultura operacional em momentos críticos.

Um exemplo: na Birziplastik, Sergio decide estar presente nas auditorias internas de qualidade, mesmo que sua assinatura não seja necessária. O objetivo é sustentar o padrão pela presença, não pelo discurso.

🔧 d) Resolução de conflitos: desenho de tensões produtivas

Sergio sustenta que nem todo conflito é ruim. Tensões bem desenhadas podem ser catalisadoras de inovação. O importante é não permitir que escalem sem um marco. Por isso, ele promove um sistema de “resolução descentralizada” com três princípios:

  1. Toda tensão deve tentar ser resolvida no nível mais baixo possível
  2. As decisões devem ficar registradas para acompanhamento
  3. Só escalam ao CEO se houver impacto direto em KPIs críticos

“Muitos conflitos chegam ao CEO porque ninguém teve a coragem de dizer: isso nós resolvemos entre nós.”

Esse sistema funcionou especialmente em áreas com sobreposição funcional, como logística–vendas ou produção–qualidade. Evitam-se atritos políticos desnecessários e reforça-se a autonomia responsável.

📈 e) Planejamento estratégico ágil: ciclos trimestrais com revisão mensal

A visão de planejamento que Sergio propõe se alinha com o que Yves Doz e Mikko Kosonen apresentam em Fast Strategy (2008): ciclos ágeis, iterativos e com estrutura leve. Na Birziplastik, ele trabalha com planos trimestrais, cada um com objetivos mensuráveis, mas abertos à iteração.

“Planejar não é adivinhar. É ter uma hipótese de ação baseada no que sabemos hoje. E revisá-la todo mês, se for necessário.”

Esse método reduz a paralisia por análise, mas também evita cair na improvisação. Cada ciclo termina com uma retrospectiva estratégica, na qual se analisa:

  • Quais decisões funcionaram
  • Quais sinais do ambiente foram ignorados
  • Quais novas hipóteses precisam ser validadas

Isso fortalece o músculo adaptativo da organização e permite conectar a operação diária aos desafios de médio prazo.

Reflexão final: a adaptabilidade como núcleo da liderança industrial

A experiência de Sergio Mariano García revela que a verdadeira vantagem competitiva na indústria do plástico já não vem de ter mais ativos, mais máquinas ou mais mercado. Vem de ter líderes que saibam aprender mais rápido do que o ambiente muda.

“Você pode ter um perfil técnico, comercial ou financeiro. Se não souber se adaptar à sua empresa, às suas pessoas e ao momento, vai fracassar do mesmo jeito.”

Hoje, a liderança industrial exige operar entre a complexidade normativa europeia e a informalidade produtiva latino-americana. Exige sustentar indicadores de rentabilidade enquanto se transforma a cultura. Exige planejar com dados incompletos e decidir com sentido.

Por isso, Sergio não define a liderança como um cargo. Ele a define como uma competência estratégica integrada. Adaptabilidade, para ele, não é mudar por mudar, mas sustentar uma direção clara, com abertura constante para redefinir o caminho.

“O CEO não precisa ter todas as respostas. Precisa fazer as perguntas certas, no momento certo, com o tom adequado.”

A grande pergunta que esta conversa com Sergio Mariano García deixa é:

Sua empresa está treinando seus líderes para operar em ambientes onde a única certeza é a mudança?

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Sobre Sergio Mariano García

Sergio Moriano García é uma referência internacional no desenvolvimento de soluções sustentáveis com termoplásticos, com mais de duas décadas de experiência liderando projetos estratégicos na indústria química e de materiais avançados. Formado em Ciências Químicas pela Universidade de Zaragoza e atualmente cursando um Executive MBA na EAE Business School, construiu uma trajetória que integra P&D, direção comercial, economia circular e inovação de produto. Ao longo de sua carreira, ocupou cargos técnicos e executivos em empresas líderes como Ercros, PolyOne (hoje Avient), Domo Chemicals, Avanzare e SABIC. Na PolyOne, onde trabalhou por 12 anos, liderou equipes multiculturais na Europa e na Índia, promovendo tecnologias de compostos técnicos e sustentáveis. Depois, na Domo Chemicals, dirigiu processos de integração após aquisições-chave e desenvolveu soluções circulares a partir do seu Application Center. Como Diretor Geral da Avanzare, impulsionou a internacionalização para mercados estratégicos como EUA, China e México. Mais tarde, na SABIC, foi responsável por acordos comerciais globais e pelo lançamento bem-sucedido de novos materiais no setor automotivo. Além disso, foi Diretor de Estratégia Corporativa na BIRZIPLASTIK e fundador da S4P Consulting, de onde assessora empresas em inovação sustentável, economia circular e desenvolvimento de materiais. Sua visão combina profundo conhecimento técnico, sensibilidade de mercado e compromisso com a sustentabilidade industrial.

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