🔍 Este artigo foi cocriado com Manuel Laredo Grupo Mamut Bolívia, CEO de uma empresa pioneira em materiais reciclados para a indústria da construção na América Latina.
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O problema: Repensar os processos construtivos desde a base
A indústria da construção na América Latina enfrenta uma tensão estrutural: precisa responder ao crescimento populacional e urbano sem aprofundar o modelo extrativista que gerou degradação ambiental, emissões massivas e consumo ineficiente de recursos. Nesse contexto, Manuel Laredo Grupo Mamut Bolívia surge como uma das referências mais consistentes de uma abordagem radicalmente diferente: redesenhar a construção a partir da lógica da economia circular na construção latino-americana.
Sua proposta desafia a noção tradicional de que os materiais sustentáveis reciclados são meros substitutos de baixo custo. Nas palavras de Manuel:
“Na Bolívia, o material reciclado ainda é visto como um substituto barato. Nós o apresentamos como um ativo de inovação e desempenho.”
O Grupo Mamut trabalha com resíduos de pneus usados para fabricar pavers, pisos, elementos urbanos e soluções industriais. Mas sua proposta não é apenas técnica: é conceitual. Implica questionar a linearidade do modelo tradicional e propor uma visão sistêmica, em que o ciclo de vida dos materiais seja considerado desde o projeto até o pós-uso.
Desaprender a linearidade: inovação regenerativa na construção
Uma das chaves da abordagem de Manuel Laredo Grupo Mamut Bolívia é diferenciar entre reciclagem oportunista (reutilizar o que sobra porque convém) e circularidade sistêmica (projetar para que não haja resíduos desde o início). Sua inspiração se apoia em referenciais como o Cradle to Cradle, que redefine o propósito do design industrial.
Nessa lógica, o Grupo Mamut constrói sua proposta sobre três pilares:
- Materiais sustentáveis reciclados com desempenho técnico igual ou superior ao dos materiais tradicionais.
- Processos construtivos sustentáveis, com redução de emissões, eficiência hídrica e baixo consumo de energia.
- Rastreabilidade completa, desde a origem do resíduo até a aplicação do produto final.
Além de fabricar produtos, a empresa impulsiona uma mudança de paradigma. A visão de Laredo busca posicionar o reciclado como superior do ponto de vista técnico e operacional.
“Temos que parar de vender sustentabilidade como sacrifício. É preciso mostrá-la como inovação e desempenho.”
Redesenhar o produto desde a origem: engenharia circular aplicada
Para alcançar um modelo sustentável real, Manuel Laredo Grupo Mamut Bolívia se concentra em aplicar princípios de design circular desde o início do processo:
- Cada paver, piso ou placa que produzem é pensado para ser desmontável, reutilizável e reciclável.
- São utilizados polímeros reciclados com possibilidade de reintegração ao sistema em múltiplos ciclos.
- Os lotes são rastreados para que seja possível seguir o produto desde a origem do pneu até a instalação final.
Essa abordagem faz com que os produtos não sejam vistos como “de segunda linha”, mas como soluções com engenharia aplicada, alto desempenho técnico e benefícios adicionais em elasticidade, durabilidade e segurança.
“Nosso paver não é um produto com lixo dentro. É um sistema técnico com propósito.”
Manufatura sustentável: controle operacional como motor da circularidade
Uma das ideias centrais que Manuel Laredo Grupo Mamut Bolívia defende com força é que a economia circular na construção latino-americana não pode se basear apenas em narrativa: precisa de métricas, indicadores e controle operacional.
O Grupo Mamut desenvolveu um sistema de manufatura sustentável baseado em princípios de Lean Manufacturing, aplicados com foco ambiental. Algumas das variáveis que medem:
- kWh por tonelada produzida
- Consumo de água por lote
- Taxa de reutilização de moldes
- % de resíduos reintegrados ao processo
Esses indicadores permitem sustentar uma operação industrial alinhada aos princípios de eficiência energética e redução do impacto ambiental, algo que Manuel Laredo Grupo Mamut Bolívia considera inegociável para escalar o modelo sem comprometer seus princípios.
“Não existe economia circular sem controle operacional. É preciso medir tudo.”
Combater o preconceito com dados: educação técnica para o cliente
Um dos maiores desafios dos materiais sustentáveis reciclados não é técnico, mas cultural. A percepção de baixa qualidade ainda persiste, especialmente em setores tradicionais como a construção pública ou a habitação social.
Para enfrentar esse viés, Manuel Laredo Grupo Mamut Bolívia implementou um sistema de educação técnica voltado a seus clientes. Arquitetos, engenheiros e compradores públicos recebem:
- Fichas técnicas comparativas
- Ensaios certificados de resistência e durabilidade
- Garantias estendidas
- Casos de uso validados
O objetivo é construir uma narrativa de confiança sustentada por evidências técnicas. Não se trata apenas de “acreditar” no sustentável, mas de comprovar que ele pode superar o convencional.
“O maior inimigo do reciclado é o preconceito, não o dado técnico.”
Modelo social ampliado: redes de economia circular com impacto local
Diferentemente dos modelos centralizados, a abordagem de Manuel Laredo Grupo Mamut Bolívia prioriza a descentralização operacional e a integração de atores sociais ao longo do processo. Em vez de importar resíduos, o Grupo Mamut se apoia em redes locais de coleta e transformação que incluem:
- Coletores informais de pneus usados
- Oficinas mecânicas e microempresas de transporte
- Empreendedores locais para logística e comercialização
Esse modelo responde a dois princípios-chave da economia circular na construção latino-americana:
- Valor compartilhado: geram-se renda e formalização em setores excluídos do circuito econômico tradicional.
- Eficiência logística: reduzem-se custos operacionais e pegada de carbono ao evitar deslocamentos desnecessários.
“Se você não integra atores sociais ao seu modelo, ele não é circular. É só reciclagem de luxo.”
Certificação, evidência técnica e expansão regional
Um dos pilares que diferenciam Manuel Laredo Grupo Mamut Bolívia no ecossistema da economia circular na construção latino-americana é sua aposta em validar tecnicamente cada produto e processo antes de chegar ao mercado. Essa lógica é inspirada nos princípios da avaliação do ciclo de vida (ACV) e tem sido fundamental para entrar em mercados exigentes como o colombiano e o peruano.
“Não basta dizer que é verde. É preciso demonstrar.”
As certificações que o Grupo Mamut impulsiona incluem:
- Origem verificada do material reciclado
- Relatórios de emissões evitadas em comparação com materiais tradicionais
- Testes de durabilidade em condições reais de uso
- Relatórios de rastreabilidade por lote e fornecedor
Essas certificações não cumprem apenas uma função regulatória, mas funcionam como garantias de inovação sustentável. Em mercados onde a construção sustentável começa a ser política pública, como os da América Latina andina, esse tipo de evidência é fundamental para abrir portas e ter acesso a licitações públicas ou alianças com empresas do setor.
Exportar sustentabilidade: estratégia de expansão a partir da periferia
Outro aspecto fundamental é que **Manuel Laredo Grupo Mamut**Bolívia não fica restrito ao mercado local. A partir da Bolívia —historicamente deixada de fora das cadeias de exportação de produtos industriais— a equipe do Grupo Mamut desenhou uma estratégia de expansão circular baseada em adaptar o modelo operacional a contextos semelhantes na região.
Em vez de crescer replicando uma fábrica centralizada, sua estratégia combina:
- Transferência de conhecimento em design e controle de qualidade
- Capacitação remota de equipes locais
- Adaptação dos produtos às normas locais
- Licenças operacionais com modelo modular
Essa abordagem permitiu abrir operações no Paraguai e no México, sempre cuidando para que os processos construtivos sustentáveis não percam solidez técnica nem sentido local.
“Escalar não é copiar. É saber qual parte do modelo precisa mudar e qual parte precisa se manter inalterada.”
Com essa estratégia, o Grupo Mamut se torna um modelo exportador não apenas de produtos, mas de cultura de sustentabilidade aplicada à construção.
Alianças com governos e instituições acadêmicas
Uma parte estratégica do crescimento de Manuel Laredo Grupo Mamut Bolívia tem sido construir pontes com atores-chave do ecossistema institucional. Em países como a Bolívia, onde o marco regulatório sobre economia circular ainda é incipiente, a Mamut atua como agente antecipador de normas.
Eles trabalharam junto com:
- Governos municipais, para aplicar seus produtos em mobiliário urbano
- Ministérios do Meio Ambiente, para desenvolver padrões de reciclagem industrial
- Universidades públicas e privadas, para desenvolver linhas de pesquisa sobre materiais sustentáveis reciclados
“Se a lei não existe, é preciso se antecipar. Demonstrar que é possível. E depois ajudar a escrevê-la.”
Esse posicionamento os torna não apenas fornecedores, mas referências na formulação de políticas públicas voltadas para uma construção sustentável.
Tecnologia e inovação no coração da circularidade
A abordagem circular do Grupo Mamut não se limita à origem do insumo: também abrange processos de manufatura e acompanhamento do desempenho. A partir de sua fábrica na Bolívia, a equipe liderada por Manuel Laredo Grupo Mamut Bolívia investiu em tecnologias que permitem manter a competitividade técnica sem perder a rastreabilidade.
Essas inovações incluem:
- Sistemas de rastreabilidade com QR por lote
- Bancos de dados de desempenho em campo por região geográfica
- Simulação de desgaste acelerado para testar a vida útil dos pavers reciclados
- Software próprio de projeto modular de pisos
Graças a essas ferramentas, os produtos se ajustam a diferentes climas, tipos de tráfego, requisitos normativos e orçamentos municipais. Isso é especialmente relevante para levar os processos construtivos sustentáveis a regiões mais vulneráveis ou com infraestrutura deficiente.
“A circularidade precisa de dados. Se você não mede, não consegue melhorar.”
Formação como alavanca para transformar a cultura construtiva
Uma das maiores barreiras para a adoção de materiais sustentáveis reciclados é a resistência dos profissionais do setor. Engenheiros, arquitetos e responsáveis por compras públicas costumam operar com critérios conservadores. Para mudar essa inércia, Manuel Laredo Grupo Mamut Bolívia desenvolveu um programa de formação intensivo.
Esse programa inclui:
- Seminários técnicos para universidades e institutos de arquitetura
- Capacitações in company para construtoras
- Workshops com governos locais sobre regulamentação e uso de produtos circulares
- Bibliografia técnica comparativa com materiais tradicionais
Graças a esse trabalho educativo, a Mamut conseguiu introduzir produtos como seus pisos de borracha reciclada em hospitais, parques, escolas e até em instalações militares, setores onde a resistência técnica à mudança costuma ser mais alta.
“Não queremos que comprem de nós porque somos ‘verdes’. Queremos que nos escolham porque funcionamos melhor.”
Impacto social e econômico: além do produto
A proposta de Manuel Laredo Grupo Mamut Bolívia não é apenas industrial. Ela tem uma dimensão social profunda. A empresa trabalha com redes de recicladores urbanos, microempresas de transporte e mulheres chefes de família em oficinas de montagem, e promove a formalização de atores informais.
O impacto se dá em vários níveis:
- Geração de emprego inclusivo
- Redução de resíduos urbanos sem intervenção estatal direta
- Transferência de conhecimentos sobre processos construtivos sustentáveis
- Melhorias na qualidade dos espaços públicos com produtos reciclados de alta durabilidade
Esse modelo conecta economia circular com justiça econômica e posiciona a reciclagem industrial como um vetor de transformação produtiva e social na América Latina.
“Não existe construção sustentável sem inclusão social. E não existe circularidade real se ela não redistribui valor.”
Reflexão final: Escalar sem comprometer princípios?
Manuel Laredo Grupo Mamut Bolívia demonstra que é possível crescer sem trair os princípios da sustentabilidade. Faz isso com tecnologia, processos, certificações e visão política. Mas, sobretudo, faz isso com uma convicção firme: a de que a reciclagem industrial não é caridade nem moda, mas inovação inteligente.
A economia circular na construção latino-americana tem no Grupo Mamut um modelo possível: rentável, replicável, com impacto e rigor. Um modelo que redefine o que entendemos por infraestrutura sustentável.
“O circular precisa ser mais eficiente, mais rentável e mais técnico. Caso contrário, não escala.”
Então, a grande pergunta que esta história deixa é:
🎙️ O Keru Podcast é um produto criado pela Globalita, com uma série de conversas (em espanhol) com líderes industriais da América Latina sobre gestão, tecnologia e tomada de decisões em ambientes complexos.
Estamos projetando nossas obras para durar… ou para regenerar?
Manuel Laredo é fundador e ex-CEO da Mamut, a empresa boliviana de triplo impacto mais premiada do país, dedicada a soluções industriais sustentáveis a partir de borracha reciclada e economia circular. Sob sua liderança, a Mamut revalorizou mais de 900 toneladas de pneus inservíveis e expandiu as operações para o Paraguai e o México, consolidando-se como referência regional em inovação ambiental, social e econômica. É Engenheiro Industrial pela Universidad Mayor de San Simón, com mestrado em Polímeros e Biopolímeros pela Universitat Politècnica de Catalunya. Foi distinguido com prêmios como o Global Innovation Award, Aim2Flourish, SOCAP San Francisco e Premio Latinoamérica Verde, e escolhido como Humphrey Fellow (MSU) e membro do GCL (Georgetown University).
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